Durante o III Congresso Nacional de Arquivologia, em Assembléia Geral realizada no dia 24/10, composta em sua maioria por arquivistas do Rio de Janeiro e alguns representantes de outros estados foi aprovada a fundação do Sindicato Nacional de Arquivistas e Técnicos de Arquivo (SINARQUIVO). Esta entidade representa um novo tipo de esforço, além do associativismo, em tornar possível a organização da classe dos arquivistas e técnicos de arquivo, porém apresenta-se como um grande desafio diante do atual estrangulamento da lei sindical que procura cada vez mais restringir a organização dos trabalhadores.
Na prática, a proposta foi lançada às pressas no início deste mesmo semestre e o estatuto, resultado de "recorta e cola", conhecido somente na semana da assembléia ou até, pela maioria, em cópias cedidas no início da realização da mesma. Mesmo diante deste quadro que aumenta a possibilidade de recurso por parte de alguma representação ou grupo de arquivistas contestando a legalidade do processo, a assembléia geral aprovou a formação do sindicato.
Nós, membros da chapa 2 ("Reflexão e Ação") formada no evento, que conta com arquivistas politicamente independentes, marcamos posição contrária à forma pela qual se estabeleceu o processo de criação do sindicato instalado pelos organizadores da assembléia, uma vez que era o mesmo que passar um cheque em branco. Percebemos este processo como uma verdadeira manobra maquiavélica que aproveitou da ansiedade de organizar-se, inerente a todo tipo de categoria, para aprovar, sem maiores debates, uma entidade democrática.
Desejávamos que o processo fosse mais organizado e democrático, com ampla discussão na base dos arquivistas, porém a assembléia já contava com estatuto pronto e chapa fechada. Diante disso somente nos restou o contra-golpe de formar uma chapa e participar do processo. Queremos esclarecer que graças à proporcionalidade aprovada soberanamente nessa assembléia geral, proposta por nossa chapa, estaremos atentos e fiscalizando todas as ações que envolvam o interesse da categoria.
Reafirmamos que a chapa 1, apesar composta por representantes de alguns estados, caracteriza-se apenas por uma linha de pensamento político dominante. Nossa proposta de proporcionalidade visou exatamente mesclar a primeira diretoria do sindicato com diversidade de pensamentos, elemento indispensável numa democracia, além de possibilitar um acompanhamento das decisões e a participação na montagem do nosso sindicato nacional.
Pretendemos agora auxiliar na construção do sindicato, garantir um estatuto autônomo e independente, a ser validado em assembléia num próximo encontro da categoria. Até lá, iremos construir coletivamente o sindicato, de olho nas tomadas de decisões e, é lógico, participando delas.
Este cheque em branco não poderia ser dado a uma única linha política, a um único projeto político. E os arquivistas preocupados com a forma do processo (não a claque iludida pela chapa 1), entenderam e aprovaram a proporcionalidade qualificada por maioria dos votos.
A chapa 2 terá dois representantes (vice-presidente, Ana Gorender, e primeiro suplente, com direito a voto, Nei Silveira), e pretendemos lutar para que o sindicato seja livre e autônomo e que seu estatuto, que será revisado, possibilite de fato a democracia e não a reeleição ad eternum de um grupo político organizado.
Arquivistas com muito orgulho.
"Reflexão e Ação": Rodolfo Rodrigues, Ana Gorender, Heloisa Reis, Rafaela Almeida, Rogério Araújo, Nei Silveira e Charlley Luz.
Um comentário:
Não há organização profissional que exista por si só. O problema que as vezes ocorre é a falta de ação dos profissionais que a criaram. Todo e qualquer profissional tem a OBRIGAÇÃO de fiscalizar a instituição ao qual é, por assim dizer, FILIADO. Se não está fazendo isso, significa que não tem interesse na organização montada, em seu sucesso ou seu fracasso. Veja por exemplo o caso das associações: quantos de nós sabe o que a associação planeja para o ano em andamento ou o vindouro, quanto já analisaram seus gastos ou ainda pior, quantos fizeram questão de votar nos seus representantes no último pleito? Quantos sabem os nomes de seus representantes eleitos?
Acredito que frases como a do título, mais prejudicam do que auxiliam o desenvolvimento da área no país.
Vanderlei Santos
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