O mesmo comportamento de omissão em rumos importantes ou ataques à imagem de colegas ocorreram em outras situações parecidas. Para fugir da negociação e da democracia, ataca-se atingindo a honra de colegas de profissão que também querem ceder seu tempo em prol de algo que seja substancial para TODOS os arquivistas. Tiraram este nosso direito no Sinarquivo.
O Reflexão & Ação entende, agora, que o SINARQUIVO, na forma como atua, é uma pretensa entidade que não tem objetivos definidos pela categoria, não tem um regulamento capaz de geri-la e fiscalizá-la com efetividade (lembram-se do caso do Deputado do DEM e da filiação à Força Sindical?) e não tem liderança democrática que dialogue, que tenha o equilíbrio psicológico de ouvir as posições diferentes da sua e seja capaz construir um sindicato representativo de TODOS os arquivistas brasileiros.
O SINARQUIVO hoje é a tentativa de ser um mero instrumento de projeto político, esboço mal feito de fonte de arrecadação de recursos compulsórios (por isso o interesse no CNPJ e registro), para viabilizar projetos de um grupo de arquivistas que vem atuando ao longo do tempo nas entidades como AAERJ (criada depois de não conseguirem levar a AAB), ENARA (que por serem associação dependem de contribuições voluntária dos sócios) até chegar ao Sinarquivo que poderia receber o imposto sindical (um dia de salário) dos arquivistas brasileiros.
Não há e nem haverá espaço para debates democráticos, uma vez que não há escrúpulos e nem o direito ao contraditório, por parte do grupo hegemônico, em impor direcionamentos ao SINARQUIVO que nem de longe beneficiam arquivistas e a arquivologia. Na experiência desses dois anos percebemos que, ou concordamos com tudo que se faz torto no SINARQUIVO, por esse grupo e seu representante ou estamos contra o SINARQUIVO, exatamente por não concordar com os planos e falta de democracia desse grupo!
A bem da verdade, não sabemos mais se podemos falar em grupo hegemônico, uma vez que no episódio da tentativa de atrelamento do SINARQUIVO a Força Sindical (enfatizamos a ausência de consulta à categoria), o líder da chapa "A Hora e a Vez dos Arquivistas" mostrou-se bastante isolado do resto do seu grupo. Afinal, há limites para todo mundo e ainda existe bom senso de certas pessoas alinhadas com ele.
Por todas as razões expostas, o Reflexão & Ação se retira da diretoria dessa iniciativa, que poderia ser uma entidade dos arquivistas brasileiros, na certeza de que a luta travada até o momento não foi em vão e que ela deve continuar. Serviu ao menos para desmascarar projetos pessoais megalomaníacos que dividem os arquivistas, ao invés de uni-los.
No começo do SINARQUIVO acreditamos que seria possível estabelecer uma relação política capaz de corrigir os equívocos e as manobras fraudulentas, como a participação de não-arquivistas na assembléia de fundação. Àquela época divulgamos nosso manifesto e falamos que todos assinaram um cheque em branco. Vimos que ele não foi bem utilizado.
Agora, como membros da comunidade arquivística e sem querer sair da luta por uma visibilidade e reconhecimento de nossa profissão e da arquivologia, vamos atuar em nossas frentes de trabalho, em nossos estados e também apoiaremos iniciativas nacionais de mobilização profissional e que sejam legítimas em representar TODOS os arquivistas.
Ana Goreder e Nei Silveira, ex-representantes na diretoria do Sinarquivo
Grupo Reflexão & Ação (somos vários, por isso assinamos coletivamente esse manifesto)
Brasil, agosto de 2010.