terça-feira, 11 de novembro de 2008

Fundação do SINARQUIVO: cheque em branco dado por arquivistas deverá ser fiscalizado.

Durante o III Congresso Nacional de Arquivologia, em Assembléia Geral realizada no dia 24/10, composta em sua maioria por arquivistas do Rio de Janeiro e alguns representantes de outros estados foi aprovada a fundação do Sindicato Nacional de Arquivistas e Técnicos de Arquivo (SINARQUIVO). Esta entidade representa um novo tipo de esforço, além do associativismo, em tornar possível a organização da classe dos arquivistas e técnicos de arquivo, porém apresenta-se como um grande desafio diante do atual estrangulamento da lei sindical que procura cada vez mais restringir a organização dos trabalhadores.

Na prática, a proposta foi lançada às pressas no início deste mesmo semestre e o estatuto, resultado de "recorta e cola", conhecido somente na semana da assembléia ou até, pela maioria, em cópias cedidas no início da realização da mesma. Mesmo diante deste quadro que aumenta a possibilidade de recurso por parte de alguma representação ou grupo de arquivistas contestando a legalidade do processo, a assembléia geral aprovou a formação do sindicato.

Nós, membros da chapa 2 ("Reflexão e Ação") formada no evento, que conta com arquivistas politicamente independentes, marcamos posição contrária à forma pela qual se estabeleceu o processo de criação do sindicato instalado pelos organizadores da assembléia, uma vez que era o mesmo que passar um cheque em branco. Percebemos este processo como uma verdadeira manobra maquiavélica que aproveitou da ansiedade de organizar-se, inerente a todo tipo de categoria, para aprovar, sem maiores debates, uma entidade democrática.

Desejávamos que o processo fosse mais organizado e democrático, com ampla discussão na base dos arquivistas, porém a assembléia já contava com estatuto pronto e chapa fechada. Diante disso somente nos restou o contra-golpe de formar uma chapa e participar do processo. Queremos esclarecer que graças à proporcionalidade aprovada soberanamente nessa assembléia geral, proposta por nossa chapa, estaremos atentos e fiscalizando todas as ações que envolvam o interesse da categoria.

Reafirmamos que a chapa 1, apesar composta por representantes de alguns estados, caracteriza-se apenas por uma linha de pensamento político dominante. Nossa proposta de proporcionalidade visou exatamente mesclar a primeira diretoria do sindicato com diversidade de pensamentos, elemento indispensável numa democracia, além de possibilitar um acompanhamento das decisões e a participação na montagem do nosso sindicato nacional.

Pretendemos agora auxiliar na construção do sindicato, garantir um estatuto autônomo e independente, a ser validado em assembléia num próximo encontro da categoria. Até lá, iremos construir coletivamente o sindicato, de olho nas tomadas de decisões e, é lógico, participando delas.

Este cheque em branco não poderia ser dado a uma única linha política, a um único projeto político. E os arquivistas preocupados com a forma do processo (não a claque iludida pela chapa 1), entenderam e aprovaram a proporcionalidade qualificada por maioria dos votos.

A chapa 2 terá dois representantes (vice-presidente, Ana Gorender, e primeiro suplente, com direito a voto, Nei Silveira), e pretendemos lutar para que o sindicato seja livre e autônomo e que seu estatuto, que será revisado, possibilite de fato a democracia e não a reeleição ad eternum de um grupo político organizado.

Arquivistas com muito orgulho.

"Reflexão e Ação": Rodolfo Rodrigues, Ana Gorender, Heloisa Reis, Rafaela Almeida, Rogério Araújo, Nei Silveira e Charlley Luz.